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Terra: Olímpia

Brasil 27 Feb, 2026 - 31 Mar, 2027 R. Cel. José Medeiros. Patrimônio de São João Batista, Olímpia - SP. CEP: 15.400-051, 477, Olímpia, Sao Paulo, Brasil

Exposición Individual  

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https://www.olimpia.sp.gov.br/portal/turismo/0/9/5502/eco---estacao-cultural-de-olimpia

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A Estação Cultural de Olímpia apresenta, de 27 de fevereiro de 2026 a março de 2027, Terra: Olímpia, exposição individual de Zilah Garcia que integra um ambicioso projeto artístico sobre identidade nacional, diáspora nordestina e apagamentos históricos. Com curadoria de Agnaldo Farias, a mostra reúne 15 obras que articulam experimentação material, memória afetiva e crítica social a partir do clássico Os Sertões, de Euclides da Cunha, com destaque para as obras Terra Ignota e Culto das Seis, além do mural site specific, de 3m x 5m, inédito.

Terra: Olímpia: desdobramentos de uma pesquisa expandida
A etapa inaugural do ambicioso projeto, exibido no Centro Cultural dos Correios Rio de Janeiro, no início de 2025, abordou a primeira etapa da pesquisa da artista sobre “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, e outras fontes sobre o Arraial do Monte Santo: fontes literárias, jornalísticas, de tradição oral, da cultura popular e do folclore. Todas apresentam Antonio Conselheiro e seu povoado para muito além do massacre que sofreram na Guerra de Canudos. O episódio do fim do século XIX revela a seca como uma característica natural, apropriada como problema político. Todas essas questões forjam não apenas a identidade nordestina, mas também a brasileira.
A exposição Terra: Olímpia desloca o eixo investigativo para os fluxos migratórios nordestinos e a reconfiguração identitária no interior paulista. A escolha de Olímpia como sede não é fortuita: a cidade, destino de intensas migrações durante o século XX – incluindo a família da própria artista –, tornou-se polo de preservação e reinvenção da cultura popular nordestina, sendo reconhecida como Capital Nacional do Folclore através da Lei Federal nº 13.566, abrigando um dos mais importantes festivais do mundo. 
O cerne da exposição é um mural site specific, de 3m x 5m, inédito, que dialoga formalmente com o muralismo mexicano. A obra investiga as tensões, contradições e potências dessa identidade nordestina forjada simultaneamente no desenraizamento e na persistência cultural. Zilah Garcia opera uma cartografia afetiva onde território, memória e matéria convergem em um mesmo gesto poético-político.
“Essa mostra nasce da minha pesquisa sobre a terra, mas se expande para falar das pessoas que caminharam sobre ela. Ao tratar da trajetória dos retirantes que vieram do Nordeste para o interior de São Paulo, eu falo também da minha própria história e da minha família, da fundação de Olímpia e do sentido de pertencimento que me trouxe de volta à minha cidade natal para realizar minha primeira exposição individual no estado. Desenvolver obras especialmente para essa mostra, a pedido da Prefeitura de Olímpia, reforça ainda mais o vínculo afetivo e histórico que tenho com a cidade e com essa narrativa, o que me deixa extremamente feliz por este momento”. Zilah Garcia, artista. 


Materialidade e experimentação com a terra

Tendo como matéria-prima a terra, a série é composta por pinturas-objetos – obras que, embora tenham a tela como suporte, incorporam um caráter tridimensional através de um processo artesanal e experimental desenvolvido pela artista. O efeito craquelado, característico da terra que se racha devido à seca, é obtido por meio dessa experimentação que discute forma e espaço. Para criar as texturas, a artista coleta terra de diferentes regiões do Brasil e processa pedras que, ao serem trituradas, se transformam em uma espécie de massa. Essa mistura é esculpida na tela, aderindo à superfície durante o processo de secagem.

Para alcançar a consistência ideal, Zilah utiliza instrumentos manuais, trituradores elétricos e até secadores de cabelo, ajustando seu método conforme as características dos materiais encontrados e transformando a seca na solução criativa que garante a conservação das obras, ao longo do tempo. Em peças como Terra Ignota e Culto das Seis, Zilah integra páginas de edições antigas de Os Sertões, que passam por um processo cuidadoso de impermeabilização antes de serem aplicadas sobre a massa de terra. Esse tratamento assegura que o papel interaja com os outros materiais sem perder integridade.

Arquivo audiovisual e retorno às origens
A exposição conta ainda com um filme que documenta a viagem de Zilah ao município de Canudos, interior da Bahia, no final de 2024. A projeção exibe a paisagem descrita por Euclides da Cunha sobre a História de Canudos e revela como a vivência da artista naquele território influenciou sua pesquisa artística. 

“As pinturas e instalações de Zilah Garcia, não representam a terra, elas são de terra, e com isso encurtam a distância entre arte e vida. Com a exposição de agora, Zilah demonstra que a beleza e a singularidade de Olímpia, como a de qualquer cidade, ultrapassa os limites da geografia, a fertilidade do chão, o encanto da paisagem local. Deve-se também a sua gente, as pessoas que ao longo do tempo chegaram até ela, trouxeram consigo a herança de seu passado e, alimentados pela esperança, fincaram suas raízes e cresceram. A poética de Zilah é assim, feita pela sobreposição da História à Geografia, do que restou do passado, fragmentos alegres e tristes, fertilizando o presente e o futuro.” Agnaldo Farias, curador.


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